As últimas (e muitas) horas

Quando saímos de casa na manhã do dia 28 de janeiro, já sabíamos que não voltaríamos somente os dois. Teríamos nossa tão esperada filhinha conosco, revirando nossa casa e nossa vida de pernas para o ar – exatamente como queríamos. Sim, a dorzinha de barriga e o frio no estômago eram inevitáveis: quem não se abala diante do novo e do desconhecido?
Saindo de casa

Saindo de casa

Quem me conhece sabe que eu gosto de uma adrenalina no sangue…

Demos entrada no hospital às 8 e meia da manhã. Fomos direto para o Centro de Parto, onde me instalaram imediatamente no quarto que serviria como o quarto de trabalho de parto e do parto em si. É um quarto que se vê no programa da Discovery Health – História de Um Bebê – do tipo “Transformers”: quando a hora do parto chega, vem um exército e tira móvel do lugar, põe uns acessórios adicionais, instrumentos, etc. Me deram um camisolão BONITO prá vestir, e fui colocada no monitoramento fetal e das contrações. Tudo estava bem com a nenê, mas nada de contrações…

"Boniteza" de camisola...

"Boniteza" de camisola...

Monitoramento

Monitoramento

(Sim, minha barriga virava a esquina antes de mim. Quando vi essa foto, eu quase enfartei… Destaque para o papel de parede de flor de maracujá…)

E nesse meio tempo, a gente se instalava no “nosso” quartinho. Comidinhas no frigobar, roupas no armário, TV ligada procurando a programação preferida, o Rê alucinado com a máquina fotográfica registrando e filmando tudo o que podia e não podia. Qualquer semelhança com as últimas férias é mera coincidência!

Às 9 e meia da manhã chegou a médica da equipe do Dr. Lee para o primeiro exame de toque. Era a hora da verdade: a condição do meu cérvix iria determinar que tipo de indução eu receberia. Se o cérvix estivesse com um percentual “x” de afinamento, a indução seria via venal com ocitocina; se estivesse ainda grosso, a indução seria local, com um adesivo de prostaglandina diretamente no colo do útero. O diagnóstico veio rápido: nadica de nada de afinamento. Imediatamente ela colocou uma fita embebida em prostaglandinas no meu cérvix, e a partir daí era só esperar.

Confesso que fiquei até feliz com a fitinha, porque soro pendurado na mão me dá nos nervos. Mal sabia eu o preço de não ter um soro na mão.

Às 10 e meia as contrações começaram, e não passavam de uma dorzinha como uma cólica menstrual. Com o passar do tempo a dor ia aumentando, mas ainda assim como a de uma cólica menstrual. Como eu passei minha adolescência inteira padecendo de cólicas, aquilo não era nada. Até estava divertido, e eu estava bem felizinha durante o meu primeiro almoço no hospital.

Almoço feliz!

Almoço feliz!

Passei a tarde bem, com as contrações aumentando de intensidade e diminuindo o tempo entre elas, e sem problemas para administrar a dor. Às 4 da tarde, TÁ-DÁ! Finalmente a bolsa estoura! Agora sim, eu me sentia perto da nossa filhota chegar! Chamamos a médica para um outro exame de toque: afinal, eu já estava em trabalho de parto há quase 6 horas, e a bolsa estourada era um bom sinal! O exame disse outra coisa: o cérvix não tinha se alterado em nada, e em função disso nem valia a pena perguntar sobre dilatação. Mesmo assim eu perguntei, me fazendo de idiota, e a resposta veio: zero dilatação.

Começou a bater um desânimo. Eram quase 5 da tarde, 6 horas de trabalho de parto e nenhuma evolução. Já comecei a me preparar para uma noite naquele quarto, o que não estava nos meus planos iniciais. Enfim, foi assim.

A partir das 7 da noite a dor começou a aumentar progressivamente, e piorou muito quando o resto do líquido amniótico saiu – E O TAMPÃO TAMBÉM!, às 7 e meia da noite. Fui ao banheiro para trocar a fralda e a camisola que ficou emprestável, e a notícia desagradável veio: o líquido estava verde, sinal que a nenê já tinha feito o primeiro cocozinho lá dentro – o mecônio. A médica veio ao quarto, e explicou que é normal isso acontecer. E é  mesmo. Mas a partir daquele momento era necessário monitorar a nenê constantemente. A cada monitoramento, era um alívio saber que ela estava bem.

A partir daí, a sessão fotos e filminhos foi interrompida… As férias haviam acabado.

O que não estava bem eram as contrações. A impressão que me deu é que alguém tinha ligado um interruptor da dor, tamanha a intensidade dela. Era uma coisa indescritível, algo que depois me dei conta de que era a dor da transição, quando faltam dois centímetros para dilatar e começar a empurar o bebê. Bem, essa dor começou às 8 da noite, e se estendeu por toda a madrugada e início da manhã. Não preguei o olho a noite inteira, porque as contrações estavam de 7 em 7 minutos, às vezes de 3 em 3. Eu saía para andar nos corredores, parava na frente do balcão da enfermagem, as parteiras me olhavam como dizendo “sinto muito, é assim mesmo”, ia para o computador checar e-mails, mas a dor não me deixava enxergar nada. Até bloguei um post aqui, só prá dar o ar da graça e fazer uma graça, mas não foi nada engraçado. Em algum momento da noite pedi uma injeção para a dor, um tal de Demeral. Nem cócegas fez, porque se tivesse feito eu ainda teria o benefício das endorfinas da risada. Eu nem ia tentar pedir uma peridural no meio da madrugada: anestesista de plantão deve fazer parte da mitologia médica. Só me restava passar a noite urrando baixinho de 5 em 5 minutos. Ou 7. Ou 3.

Finalmente o sol nasceu, e pedi um exame de toque urgente. Com toda aquela dor na madrugada, eu deveria estar para parir a qualquer momento. O líquido continuava saindo verde, mas a nenê estava bem. Chegando a médica, a constatação era: 50% de afinamento do cérvix e UM DEDINHO de dilatação. Aí eu tive uma síncope. Passei a madrugada urrando, com dores da transição de parto, para ter UM DEDINHO DE DILATAÇÃO?

Meu mundo caiu…

Pedi mais um Demeral. Nada. Chegou o café da manhã. Ah, sei. Tô super-a-fim de comer. Mas comi, porque ia precisar de forças quando o momento chegasse. Às 8 da manhã, pedi uma peridural. A enfermeira deu aquela puxada de canto de boca comum dos coreanos quando estão em uma enrascada. Apesar de ela consentir e sair do quarto sem dizer nada, eu já sabia qual era o problema: o anestesista com certeza não estava no hospital ainda. No desespero, pedi prá tomar um banho. A água quente me ajudou bastante, e fiquei lá por um tempo que perdi a noção. Deve ter sido bastante, porque quando estava me enxugando a anestesista já estava me esperando no quarto. Olhei no relógio e era 10 e meia da manhã, cravadas 24 horas de trabalho de parto. Eu sempre ouvi estórias ruins a respeito da peridural e tinha bastante receio, mas não senti absolutamente nada, nada, nada. O meu único medo era ter uma contração no momento em que a agulha estava entrando a minha membrana, mas rezei tanto que por alguns minutos nenhuma contração veio. A anestesista colocou um cateter na peridural, e o deixou preso na altura do meu ombro. Aplicou uma injeção do descansa-leão, e em 10 minutos eu estava no céu! E no inferno também. Eu não sentia dor, mas também não tinha mais contrações. Esse era o perigo de aplicar analgésicos na peridural antes de 5 dedos de dilatação.

Meio dia e meia o efeito do analgésico passou, e só senti isso porque as contrações voltaram imediatamente após. Melhor assim. E o Rê saiu correndo prá pedir mais uma injeção do descansa-leão.

A maratona de passa-o-efeito-começa-a-urrar-corre-chamar-a-enfermeira acontecia de 2 em 2 horas.

Às 4 da tarde – 24 horas após o rompimento da bolsa – recebi a primeira injeção de antibióticos. A coisa estava ficando preocupante. Nesse momento o Wlamir chegou – nosso amigo aqui na Coreia – e disse que de lá não saía enquanto a nenê não nascesse. Ainda bem que ele me pegou em um momento de êxtase pós-peridural.

Daqui não saio!

Daqui não saio!

E as visitas não pararam de chegar, todos querendo saber o que estava acontecendo. Às quinze para seis da tarde pedi uma “licencinha prás visita”, porque o bicho estava pegando. Hora de gritar prá enfermeira mais uma dose. E hora prá gritar prá médica mais um exame de toque.

Ministrada a dose da alegria, chegou a médica. Ela fez o que tinha que fazer, e anunciou: 70% de afinamento do cérvix e 2 dedos de dilatação. Eu surtei. Ela disse que iria me dar uma injeção de pitocina, para acelerar o processo. Surtei de novo.

– Você não vai me dar injeção de pitocina coisa nenhuma.

– Mas vai te ajudar.

– EU… ESTOU… DIZENDO… QUE… NÃO… QUERO.

– Mas, mas…

– E eu quero falar com o Dr. Lee, JÁ!

Mal terminei a frase e senti uns 37 dedos cutucando o meu cérvix. Eu não tinha mais forças para dizer nada. Ela estava me ajudando de novo, tentando acelerar a dilatação. Sei. Ganhei meio dedinho de dilatação, e sabe-se o que mais lá dentro. Aí o Dr. Lee chegou às seis da tarde.

– Dr. Lee, eu não aguento mais.

– Ah, deixa eu ver…

– (de novo não…)

– Bom, você está evoluindo.

– Dr. Lee, estou há 32 HORAS de trabalho de parto. Recebendo analgésicos derruba-cavalo a cada duas horas.

– Mas você vai conseguir.

– E qual a sua previsão? Quando isso acaba?

– Eu estimo mais umas 7 ou 8 horas. Ou até mais.

– Dr. Lee, depois de uma noite inteira sem dormir, o sr. quer que – na melhor das hipóteses – eu empurre um bebê de 4.5kg às duas da manhã? EU NÃO VOU AGUENTAR!!!!

Então, resolvi encerrar a novela:

– Dr. Lee, eu quero uma cesariana. Não é de longe o que eu gostaria, mas o bom senso me diz que eu já fiz tudo o que poderia ter feito.

O Dr. Lee foi muito profissional. Ele ainda tentou me convencer do contrário, mas quando ele percebeu que nossa cabeça estava feita, e deu as ordens.

A partir daí, tudo aconteceu muito rápido. Ele saiu da sala, e logo chegou uma enfermeira para me preparar. Ela saiu, e chegou o cara do Raio X. Até tentei argumentar, mas não dava mais. Só pedi um avental de chumbo para a nenê. Depois veio alguém me dar uma injeção. E alguém colocou uma toquinha. E alguém fazia o Rê assinar um monte de papéis, autorizações, e sei lá mais o quê. Desta última, só me lembro que a menina disse que eu poderia tomar uma anestesia geral. Aí eu entrei em pânico. Onde já se viu! Todo esse trampo, e eu iria dormir durante o parto? Nem a pau, Juvenal!

Em 10 minutos eu já estava na maca correndo pelos corredores do hospital até o centro cirúrgico. Eu não via o Rê, e só sabia repetir: cadê meu marido, cadê meu marido. Chegando lá, foram precisos 6 COREANOS para me transferir para a mesa cirúrgica. E injeção de um lado, monitor em outro, um monte de gente me preparando, demarcando a região do corte, e eu discutindo com o anestesista.

– Olha, a peridural não é a mais indicada. Talvez seja preciso uma raquidiana.

– Nem pensar. Eu quero a peridural.

– Mas você vai sentir a cirurgia.

– Sentir dor?

– Não, só um incômodo.

– Moço, depois de 32 horas de parto, EU AGUENTO QUALQUER COISA.

E o Rê chegou. E a cirurgia começou. O Rê viu absolutamente tudo, e eu senti absolutamente tudo. Parecia que estava tomando uma surra. E estava mesmo, porque ela era muito grande.

Às 6:43, a Beatriz nascia. Ouvir o choro dela foi algo indescritível, e quando a colocaram perto de mim eu me pus a chorar. Óbvio! Bem, naquele momento vem uma enfermeira desesperada:

– NÃO CHORA, NÃO CHORA!

Minha pulsação subiu descontroladamente. E depois o Rê me disse que começou a jorrar muito sangue do corte, que ainda estava aberto. Opa… foi mal…

O Rê saiu com ela para o berçário, e eu fiquei lá tendo as coisas colocadas no lugar e costurada. A sensação era surreal. A partir daquele momento, nossas vidas estavam alteradas, para sempre.

A melhor mudança de todas, e a nova aventura só estava começando!!

Published in: on fevereiro 22, 2009 at 9:09 pm  Comments (10)  

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10 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Selma eu nem sei o que dizer depois de ler isso tudo!!!
    Então por enquanto vou apenas dizer: parabens pela força e pela coragem, porque eu depois de poucas horas de contraçoes ja estava implorando pela peridural!!!
    Muitos beijos e muita saude pra sua bebezinha!!!!

  2. Nossa, ler esse seu relato foi um verdadeiro parto. Até suei!
    Gente, 32 horas de espera? Fez bem em optar pela cesariana.
    Boa sorte para os três.
    Beijos,
    Tati.

  3. Anjo sei que é dificil, ate para ler, mas logo com as alegrias da Beatriz, não iras nem lembrar, ou lembrar rindo de tudo
    beijos aos 3

  4. UAU!! Que relato mais bem detalhado.
    O mais importante e’ saber que tudo correu bem com voce e a Beatriz depois desse tempo todo em trabalho de parto.
    No aguardo de mais fotos de voces com a Beatriz.
    Beijos,
    Helder, Tati e Santi
    PS> viu so o danado do Santiago ja ficando em pe, e com apenas 9 meses, aguenta coracao!

  5. Selma,
    encantada é a palavra correta para o que eu senti ao ler seu post.
    Você passou por tudo isso e nada de dilatação…foi duro não é?
    Eu tinha dilatação e contração desde o quinto mês, tinha tudo para ser parto normal e não podia ser, como não foi.
    Eu, ao contrário de você, rezava para não ter dilatação, para que ele não ficasse cego ao nascer.
    Foi totalmente o contrário de mim, mas a agonia deve ter sido a mesma.
    Infelizmente não somos nós que escolhemos…a vida escolhe.
    Mas agora, sinceramente, ter feito cesárea mudou alguma coisa?
    Você vai ser uma mãe diferente da que fez o parto normal?
    Claro que não.
    Isso não tem nada que te desabone.
    Aliás, o que muda, é que a Beatriz vai te pedir para repetir mil vezes por dia essa história, vai pedir mil vezes por dia para mostrar de onde saiu ( e vai fazer cara de agonia ao ver o “corte”, tipo: -Ái mãe…doeu…te machuquei??? E vai fechar as mãozinhas e dar aquela risadinha encolhida gostosa de vergonha de ter feito “aquilo” com você…tadinha!!!), vai pedir mais um milhão de vezes como o Matheus pede todo Santo dia ao me ver colocando a roupa…
    Vai ficar olhando ansiosa ( de vez em quando ela vai até dar uns pulinhos sorrindo doida de felicidade) para você enquanto repete a história pela milésima vez naquele dia, com aquela carinha de “babo na minha mãe-admiro-sou apaixonada por ela-aplaudo-minha heroína-como minha mãe é linda-como ela é forte-como ela é corajosa-suspiro por essa mulher-estou flutuando-conta de novo mãe, que eu to nas nuvens-ELA ME AMA!!!.
    E vai te dar o abraço mais gostoso do mundo,te dar um beijo molhado de tanto babar e deitar em cima de você com a cabeçinha no seu peito, suspirar e dormir…
    Vale a pena, você vai ver.

    Beijinhos nos 3

  6. Bom saber de todos os detalhes, melhor ainda saber que deu tudo certo. Felicidades aos tres.Sempre!

  7. Puxa, Selma, esse relato foi incrível!
    Puxa, tanto tempo sentindo dores fenomenais e no fim das contas não adiantar nada, ter de recorrer à cesariana o.o
    Mas compensou, né ^^

    Me desculpa o que eu vou comentar mas não é com intenção de rir DE VC, mas quando você escreveu sobre chorar depois que a Beatriz nasceu… eu ri do ‘foi mal’ xD
    Poxa, uma situação dessas, você vendo pela primeira vez, ao vivo e a cores, a criança linda que saiud e dentro de voc~e e nem chorar vc pode -_- hahaha
    Fica de aprendizado pra próxima vez, não? xD

    E parabéns, Selma. Depois desses meses acompanhando o Gonadotrofina eu percebi que valoriza-se a mulher muito pouco, hoje em dia. Passamos por tudo isso [acredito que eu algum dia vá passar por isso, vamos ver ^^] e ainda assim muitas mulheres continuam com a imagem de que a mulher é por natureza fraca e uma série de defeitos e não é por aí.
    Vê se algum homem agüenta esse tranco LOL

    Parabéns de novo, e tudo de bom a vc e à Beatriz ^^

  8. Ei Selma, parabéns! Vida longa à Beatriz! E olha, não se sinta menos parideira por causa da cesária. Primeiros partos são longos, doem mais – ou pode ser que a gente fique mais ligada na dor – e o desconhecido joga sempre contra. O importante é que de algum jeito sai, nenão?
    beijos e espero você lá no barrigudas.blogspot.com!
    Carô

  9. OIS🙂
    Só acrescentando…a sua camisola é mesmo uma lindeza perto da camisola da Maternidade de Campinas…oh coisinha feia sô..eheheheh !!
    Beijinhos

  10. olá li seu relato , que coisa até me deu aflição, eu tive a minha bolsa rompida aos seis meses fiquei umas duas a tres semanas de cama sem banho pra não perder td o liquido e dá mais um tempo pro bebê amadurecer , depois uma semana no hospital ai sim no dia que entri 31 semanas fiz acesarea , mas correu td bem menina não senti absolutamente nada , se bem q eu já não ia tentar normal mesmo rsrsrsr. MInha filha Camila nasceu com 1.700 kg e 40 cm e mt cabeluda rsrsrrs Mãe passa mt perrengue c filho rsrsr !


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