Não necessariamente…

Reivindico o meu direito à resposta!!!! Cascão, é?

A noite passada foi assim… interessante. Me faltam adjetivos para qualificar a experiência bizarra pela qual passei.

Às 10 da noite, deitada no sofá da sala, comecei a sentir dores. Vinham das costas, da altura dos rins, irradiavam para o abdômen e desciam para a parte interior das coxas. Não consegui determinar quanto tempo durou, talvez  30 segundos, talvez um minuto inteiro. Daí a 15 minutos, outra. Depois mais outra, depois de 20 minutos. E mais outra, e outra. Todas em intervalos que variavam de 15 a 20 minutos. Às 11 e meia, resolvemos ir para cama, e quem sabe dormir. Se mais dor viesse, ela me acordaria. Talvez…

Bem, dormi. E acordei às 2 e meia para o meu xixizinho da madrugada. E sentadinha no vaso, pensei: é, nada ainda. Voltei prá cama, me ajeitei, e aí a coisa começou…

Dor, muita dor vinda das costas e fazendo o trajeto abdômen-coxas. Mas a dor ficava muito mais do que o padrão do 30-70 segundos, e o intervalo da dor praticamente não existia. Comecei a pensar se não era uma indisposição gastrointestinal, porque comi um peixinho empanado no jantar e estava com um pouco de azia. Levantei, peguei um sal de fruta prá tomar, fui ao banheiro novamente tentar um Number Two. Sal de fruta fez efeito, ida ao banheiro foi sucesso absoluto, e lá volto prá cama. Deito novamente, e lá vem dor. Às vezes menor, outras de maior intensidade, e a ausência de intervalos começaram a me deixar preocupada. Eu, morrendo de sono, tentava dormir. Não conseguia, porque vinha uma onda mais forte e me tirava da cama. Quando sentava ou levantava, a dor passava. Deitava novamente, a dor voltava. Levantava, ela passava. Nessa hora, 3 e 20 da manhã, fui procurar meu livro que já teria virado cinzas se a gente tivesse uma lareira em casa para entender o quão alerta eu deveria estar.

Deitei, e comecei a tentar decifrar as dores e sintomas do pré-trabalho de parto, do falso trabalho de parto e do real trabalho de parto. Foi ridículo. Enquanto eu sentia as dores, eu lia os sintomas e me encaixava em todos eles. As dores do false labor não aumentam com o passar do tempo, e os intervalos são irregulares. Mas também não necessariamente. E as do real labor vão aumentando em intensidade, com intervalos regulares, mas não necessariamente. What??? E se eu me incluo na categoria do “não necessariamente”? Vou pro hospital e peço a suíte com hidromassagem e pensão completa para o final de semana? O sono que eu sentia não ajudava e a coisa ficou preta. Eu levantava, e a dor passava, mas eu já não tinha mais certeza. Resolvi acordar o Rê e deixar ele meio-alerta.

Foi um deita-levanta-deita-levanta por mais uns 40 minutos. Às vezes a dor passava, às vezes não. Eu estava por um triz de arrumar tudo e ir para o hospital, mas resolvi a cartada final: tomar um banho demorado, e ficar em pé no chuveiro por uns 20 minutos. Se as dores fossem contrações do trabalho de parto mesmo, eu tiraria a prova dos 9.

Fiquei bastante tempo deixando a água cair, principalmente nas costas. Esperei, esperei, e nada. Voltei prá cama às 4 e meia, deitei, e nada de dor. Esperei mais um pouco, e nada. Como se as últimas duas horas não tivessem existido. Dormimos até às 9.

Quando acordamos, o Rê pergunta, ainda meio ensonado:

– Doeu mais?

– Não, nadinha. Dormi direto.

– Então o problema era sujeira, mesmo…

– …

Ah, as manifestações do amor…

Published in: on janeiro 17, 2009 at 12:39 pm  Comments (8)  

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Eu já teria voado para o hospital ! Beijos.

  2. SELMA,
    quando que essa menina vai nascer???

  3. Ou seja, você realmente estava na categoria do ‘não necessariamente’. Imagino a vontade que você deve ter tido de matar quem escreveu esse bendito livro LOL

    Puxa vida, acho que ela quer esperar pra vir ao mundo lá pela primavera, hein xDD

  4. MAL SABE ELE QUE NESSAS HORAS A ÁGUA É UM SANTO REMEDIO…
    E ESSA MENINA AI??????
    TA PREGUIÇOSA Q NEM ESSA AQUI…
    AI AI AI!!!!!!!!!!!!
    BEIJAO E BOA SORTE!!!!!!!!!
    HJ TEMOS MUDANÇA DE LUA…
    MESMO NAO ACREDITANDO MAIS NESSAS LENDAS…
    BJ.

  5. Escuta: quando a gente, na polícia, precisa que alguém saia de algum lugar fechado, geralmente – não que seja regra… – a gente usa de artefatos variados, tais como bombas flash-bang (luz e som que cegam e “tonteiam” o “alvo”) ou granada de fumaça… Enfim: por que você não engole uma dessas, Selma? Quem sabe ela não sai rapidinho?!

  6. PS: se precisar te mando alguma rssss…

    Bjs pra vocês três!

  7. Nada como ser bom policial, resolve rápido.

    Bjs dos Vovos

  8. Gargalhei… no meio do desespero… hora destas eu escrevo o meu parto.


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