Godzila

Não sei se é o frio, ou a sede em função do tempo seco, ou a filhota que resolveu que quer nascer com 5,5 kg… Mas começou a me dar uma fome de leão. O problema é que meu estômago está muito apertado, e não cabe muita comida. Então, comer de 3 em 3 horas ainda é a melhor opção. Mas a vontade é de chafurdar em uma montanha de arroz e feijão, com bolo de fubá de sobremesa.

Aprendi com umas pessoas que fizeram parte dos Vigilantes do Peso que a sensação de fome não necessariamente é o corpo pedindo comida, mas sim água. Estou virando camelo de tanta água, mas a fome continua… Ou eu preciso de mais água, ou de comida mesmo…

A Mamãe Godzila fica entre a cruz e a espada, porque não dá prá saber o motivo da fome. Estará o Bebê Godzila realmente precisando de mais calorias? Estará a Mamãe Godzila precisando de mais reservas de energia para o parto? Ou serão as duas coisas juntas, em função do inverno bravo que está chegando?

Published in: on novembro 27, 2008 at 9:24 pm  Comments (4)  

Semana 33

Os dois últimos dias não foram muito fáceis. Depois que ela alcançou minhas costelas e os pulmões na totalidade, sinto que preciso de um período de adaptação para o meu corpo se achar novamente. Muita dificuldade para respirar, uma dor chata constante nas costelas flutuantes, e uma dor no peito em função do estômago esmagado que mais parece um prenúncio de angina. Tudo piora à noite, não sei o por quê. E a Dona Maricota está especialmente serelepe nesses dois últimos dias, mexendo como louca e com poucos períodos de sono. Dá prá entender. Imagino a frustração dela em não ter mais espaço, e a tentativa vã de esticar o casulo…

Para completar o quadro, agora sinto uma pressão grande no baixo ventre, coisa não muito agradável. E penso: ah, agora ela nasce… Eu, hein! Fica aí bonitinha no quentinho, ainda você tem que crescer mais!

A boa notícia é que continuo dormindo bem, apesar de todas as vezes que me levanto para ir ao banheiro. Os travesseiros de apoio estão cada vez mais necessários para apoiar a barriga, e essa noite descobri que preciso de outro para as costas.

Me sinto muito aliviada em ter praticamente tudo arrumado, porque as coisas começaram a ficar realmente difíceis. Daqui a 7 semanas ela chega!

Published in: on novembro 26, 2008 at 9:57 pm  Comments (2)  

Melhor ouvir besteira do que ser surdo…

Se vocês leram meu último post no Blog Coreano (se não leram, cliquem AQUI), viram que fizeram uma festinha pra gente no último domingo, uma espécie de “chá-de-bebê” diferente. Na verdade, foi um almoço com os amigos estrangeiros aqui na Coréia. E ganhamos (quero dizer, a pequena filhota ganhou) presentes, o que foi muito legal.

Nessa festinha estava a Migu, uma coreaninha simpática que trabalha na mesma área que a Selma trabalhava até antes da gravidez. É uma coreana diferente: fala o que pensa, não se apega muito às tradições, uma revolucionária (o que é MUITO difícil para as mulheres na Coréia…razão pela qual ela tem dificuldades em arrumar um namorado…).

E conversando com a Selma, ela solta a pérola: “Mas, eu não entendo: você é casada e, além disso, está grávida. Como é que você continua assim, tão bonita? Toda produzida, se vestindo bem e tudo mais? Você está “fora do mercado”, não é justo!”

Explicações para a declaração da coreana são desnecessárias.

Ainda bem que, mesmo “fora do mercado”, a patroa continua apavorando essas manés!

Published in: on novembro 26, 2008 at 12:42 pm  Comments (3)  
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Ioga

Acho que minha filhota começou a fazer ioga dentro de mim. Tem um joelhinho que não pára, e dois pezinhos que alcançaram meus pulmões e minhas costelas.

Ai, minhas costelas…

Published in: on novembro 24, 2008 at 9:57 pm  Comments (1)  

E mais uma trincheira

E eu achando que essa seria a única trincheira da batalha…

Após 6 semanas no Brasil, cheguei na Coréia no dia 09 de outubro. No dia seguinte, uma sexta-feira, fui à consulta de rotina com a Dra. Sung. Quando cheguei no consultório, a enfermeira queria que eu tomasse 50 mg de glucose para o exame de diabetes gestacional. Eu argumentei que faria o exame na semana seguinte, pois estava muito cansada da viagem, e ela me disse que era melhor fazê-lo naquele dia mesmo, pois até que eu fizesse o ultrassom e passasse pela consulta ela teria tempo suficiente para tirar a amostra de sangue. Embalada pelo jetlag, caí na dela…

E tomei aquela gororoba açucarada com um pseudo gosto de laranja, que me embrulha o estômago só de pensar. E depois de uma hora, dois tubinhos com meu sangue já estavam devidamente identificados e a caminho do laboratório. Como na amniocentese, elas me ligariam quando o resultado estivesse pronto.

Na terça seguinte, recebo uma chamada no meu celular. Era a Dra. Sung:

Selma? Saiu o resultado do exame. Você está com diabetes. Venha refazer o exame, mas desta vez em jejum.

Meu mundo desabou. Novamente, fiquei no mas, mas, mas… Como assim, estava com diabetes gestacional? Carácoles, eu tinha feito os exames de glicose em jejum e pós-prandial no Brasil, e tudo estava ótimo! Ok, eu sabia que isso poderia acontecer, porque os tais hormônios que mexem com a insulina eram liberados pela placenta a partir da semana 26. Era exatamente a semana do meu exame.

Aí, eu pensei: Pô, minha dieta tem sido super-regulada. Sem massa, sem açúcar, comendo a cada três horas, muita água. Mais caxias do que isso, não dá. O que eu terei que fazer agora, eu não sei…

E chorei. Chorei muito. Diabetes gestacional não é uma coisa qualquer, e ela fora do controle faz com que a criança nasça com muitos problemas. Além do alto risco durante o parto, devido à pre-eclâmpsia que vem no “pacote”. Era o fim do meu desejo de ter um parto normal. E chorei mais.

Uma semana depois voltei ao consultório para a curva glicêmica. Tomei em jejum 100 mg de glucose – um copo de 300 ml – e por um instante achei que ia vomitar tudo no carpete da clínica. Rezei, respirei, pensei no outro copo de 300 ml que teria que tomar caso vomitasse. E consegui segurar o trem no meu estômago. Quatro horas – e quatro picadas em lugares diferentes do braço – depois, saí do consultório. E mais alguns dias para receber o resultado.

Passado alguns dias, atendo o celular e era a enfermeira-chefe da Dra. Sung:

Está tudo bem, você não tem diabetes gestacional. Passe amanhã para pegar seu prontuário.

Por um momento não acreditei, e pedi para ela me repetir todos os números. Estava tudo normalíssimo, tão normal quanto no Brasil. Chorei de novo, mas de alegria! E aí, tentei entender que raios tinha acontecido com o meu outro exame.

Era muito óbvio o que tinha acontecido:

  • eu não poderia ter feito o primeiro exame quando fiz. Estava cansada, com jetlag, hormônios do dia e da noite todos revirados. E, ainda por cima, tinha comido o meu lanchinho da tarde antes de ir pro consultório. Lanchinho + glucose + jetlag = resultado alterado.
  • não recebi a orientação correta. Não mesmo.
  • repetir um examinho é mais dinheirinho pro bolsinho da Dra. Maluca.

Poderia ser coisa da minha cachola, de novo. Mas na mesma semana fiquei sabendo que aconteceu o mesmo com a amiga canadense aqui do condomínio. Má orientação, resultado alterado, exame repetido.

Acho que depois dessa, eu aprendi definitivamente a lição…

Published in: on novembro 24, 2008 at 9:41 pm  Comments (3)  

Conto de Fadas

Hoje acordei e a primeira coisa que eu ouvi do Rê foi

Nossa, você dormiu como uma princesa hoje…

Mas não era a Bela Adormecida, ou a Cinderela, ou a Branca de Neve. Era a Fiona, versão Ogra, competindo com o Shrek prá ver quem roncava mais alto.

Tô parecendo um serrote… Credo…

Published in: on novembro 23, 2008 at 8:27 pm  Comments (2)  

Morfeu vai muito bem, obrigada!

Morfeu tem me embalado todas as noites! Muita ambrosia aos deuses do Olimpo!

Tenho a impressão que sempre estou remando contra a maré! Já no oitavo mês, minhas noites de sono deveriam estar uma caca. Pois parece que agora é o momento que melhor estou dormindo. Até a nenê está mais tranquilinha, dormindo mais e acordando mais tarde. Vai entender… Longe de mim reclamar, don’t get me wrong! Mas que é estranho, ah isso é! É óbvio que os xixis noturnos continuam, mas são quase xixis sonâmbulos!

Almocei com a Giulia, minha amiga italiana. Há um ano nasceu Noemi, sua filhinha, no mesmo hospital que escolhemos, e o mesmo médico. A Dra. Sung (A Louca) também foi a responsável pelo pré-natal dela, e ela praticamente passou pelas mesmas coisas que eu. Depois de muito queimar as orelhas da Dra. Tantan (inevitável), conversamos muito sobre a experiência dela no parto. Foi muito legal ouvir todas as dicas, e que apesar das 21 horas de trabalho de parto tudo foi muito tranquilo e Noemi nasceu naturalmente. Professor Lee estava presente nos momentos essenciais do trabalho de parto, para assegurar que tudo estava sob controle, e não arredou pé quando a coisa estava para acontecer. Noemi chegou e foi colocada imediatamente nos braços de Giulia, e já se pôs a mamar. O mais legal foi ouvir que logo após o parto Giulia se sentia uma leoa, cheia de energia, pronta para começar a exercer a sua recém-chegada maternidade. Ê natureza!

Dicas que eu não posso esquecer, e que estarão no “to do list” do marido:

– não ter medo de dizer não às enfermeiras. Elas irão querer fazer tudo, mas se dissermos que NÃO elas dirão que tudo bem. Depilação das partes é algo que se aplica aqui…

– pedir uma lavagem intestinal. Eu já havia pensado nisso, porque prefiro algo incômodo antes de tudo começar do que me preocupar em não fazer cocô na hora do empurra-empurra.  De todas as mulheres que conversei que não fizeram o enema, 100% se arrependeram. I wonder why…

– tomar muita água. O soro só será colocado se a peridural for aplicada (coisa que quero evitar, se conseguir).

– levar umas comidinhas, porque vai dar uma fome louca!

– não usar meus pijamas ou camisolas durante o trabalho de parto. Se usar, nem tentar lavar… Eles vão direto ao lixo, imprestáveis…

– levar fraldas prá nenê e absorventes prá mim. O hospital providencia, mas são tão ruins que não seguram nada (já vai prá mala!). 

Na semana que vem vou acompanhá-la à pediatra da Noemi – uma alemã, esposa do Embaixador da Alemanha – para um primeiro papo e esclarecer dúvidas sobre a vacinação. Tenho a impressão que para seguir o calendário do Brasil teremos que providenciar as vacinas de antemão para serem aplicadas no hospital. Vamos ver…

E hoje é Ladies’ night na casa da Feryial, uma canadense que também está grávida e que tem o due date igualzinho ao meu. Acho que em janeiro a gente vai se estapear pela sala de parto!

E depois da festinha, lá vou novamente para os braços de Morfeu…

Published in: on novembro 21, 2008 at 7:25 pm  Deixe um comentário  

Esqueleto no armário

Outro dia estávamos eu e a Kristin, minha amiga estadunidense da GM, jogando conversa fora pelo telefone. Fofoca aqui, fofoca ali, e começamos a falar sobre licença-maternidade e outros benefícios assegurados por lei no Brasil. Comentei sobre os 4 meses de afastamento remunerados e sobre as horas destinadas ao aleitamento. E ela falou sobre como isso funcionava nos EUA. E o meu mundo caiu.

Nos EUA, a mulher que trabalha fica somente 6 semanas afastada do posto. E esse afastamento, apesar de remunerado, não é uma licença-maternidade: ele é chamado de  “leave of absence due to phisical disability”, ou algo como “afastamento por incapacidade física”. É uma licença médica como outra qualquer, aplicada para todas as doenças – inclusive partos. Lá, a mulher que dá a luz é tratada simplesmente como um funcionário que está temporariamente incapacitado de exercer a função. Passa longe pensar nas necessidades do recém-nascido. Fiquei chocada. E ela, enquanto me contava, estava entre envergonhada e inconformada com as leis – ou ausência delas – no seu país.

Fico pensando se isso tem a ver com resquícios do feminismo exacerbado, transformado em direitos iguais ipsis litteris. É a linha tênue que separa a sensatez da estupidez…

Published in: on novembro 21, 2008 at 6:21 pm  Comments (3)  

O que não tem remédio…

… remediado está. Ou não está?????

Muita gente me pergunta como vamos fazer depois que a nenê nascer. A preocupação é que não haverá ninguém aqui comigo, e a maioria das pessoas não consegue enxergar um pós-parto sem a presença diária de uma pessoa ajudando em todas as tarefas: lavar, passar, cozinhar, etc etc etc. Bem, a verdade é que não dá prá fazer nada, nem comprar feito. As coisas serão da forma que tem que ser, mas não significa que será ruim. Só será diferente. Diferente como eu não sei, mas irei descobrir vivenciando essa condição dia após dia.

Uma resposta para a solução deste “pseudo-problema” seria arranjar uma empregada para trabalhar todos os dias. Se estivéssemos no Brasil, esse seria o menor dos pepinos. Era entrar em casa e já começar a pegar no batente. Não precisamos explicar como limpar a casa, como fazer um arroz, um feijão, um prato trivial qualquer. Aqui a coisa é muito diferente. A maioria das empregadas domésticas são filipinas, que não estão muito a fim de pegar no pesado de verdade. Se a gente não explica que banheiro se LAVA com sabão, cloro e vassoura, elas só passam um paninho por cima; e é assim com tudo. Cozinhar torna-se um problema também, já que temos que ensinar o básico do básico. E uma empregada aqui, todos os dias, não sai por menos de US$ 1500 (de R$ 3000 a R$ 3500) por mês. É proibitivo financeiramente, e se eu parar prá pensar friamente, estarei tomando conta de dois bebês. O quanto isso me daria paz de espírito eu não sei. Acho que muito pouco.

Para minimizar um pouco o impacto da total mudança de rotina das nossas vidas, planejamento é a palavra-chave. Já comecei a estocar comida pronta: arroz, feijão temperado, sopas, pratos prontos, massas, molhos, bolos, pães. Quando faço comida para o dia, sempre faço a mais e o que sobra eu já congelo. Todos as coisas já estão praticamente prontas: o quarto, as roupinhas lavadas, passadas e guardadas, a mala da maternidade arrumada. Limpar armários, jogar papéis fora e arrumar gavetas também facilita muito a vida, além de tirar o stress das coisas por fazer da minha frente.

Hoje foi um dos dias que passei grande parte do tempo na cozinha. Dias assim não são muito produtivos porque tenho que parar várias vezes para descansar. Mas ainda assim vale a pena. Vou fazendo tudo devagar, sem pressa, e de milho em milho a galinha enche o papo. Ou o freezer.

Entre períodos de sol, chuva e neve (a primeira da estação), o dia rendeu uma panela de feijão com lombinho defumado, fricassé de frango com gratinado de mussarela, bolo de chocolate sem ovo (ficou uma tranqueira…) e arroz integral. Lentilha e grão de bico estão de molho para amanhã cedo. Ufa, cansei.

A filhota também cansou. Praticamente não brincou hoje. Espero que nós duas durmamos bem à noite.

Published in: on novembro 20, 2008 at 9:52 pm  Comments (2)  

Coisas que a gente nem pensava que pudesse acontecer na gravidez – V

Contrações fora de hora…

Não são as contrações que avisam que o trabalho de parto já começou (a não ser que haja algum problema sério), mas sim contrações indolores chamadas Braxton-Hicks. Elas já apareceram há algumas semanas, mas estão ficando mais frequentes. Não tem hora ou lugar. Pode acontecer enquanto estou sentada no sofá, depois que levanto de uma cadeira, ou da cama.

A pior hora e lugar é na rua, no meio de uma caminhada. A coisa vem, tudo se contrai, e eu não sei se choro, se dou risada, se paro, se fico agachada, se chamo um táxi. De tanto me concentrar na contração, me esqueço de respirar.

E é isso que não posso fazer na hora H. Aquela estória do marido ficar ao lado da esposa durante as contrações fazendo aquele FU-FU-FU ridículo para lembrar que ela precisa respirar não é prá menos.

Tô achando que isso não vai funcionar… Vamos ficar nós dois rachando o bico se ele começar com FU-FU-FU!

Published in: on novembro 20, 2008 at 5:50 pm  Comments (1)