Um, dois, um, dois, um, dois…

Enquanto a Selma não consegue acessar a internet no Brasil, eu vou tomando conta aqui do diário…

Desde que começamos a nos preparar pra gravidez, procuramos nos informar a respeito de tudo: como seriam os exames, quais precauções deveriam ser tomadas, como deveria ser a alimentação correta…nesse último quesito, a Selma está bem caxias: está maneirando na gordura, riscou açúcar do cardápio, e não está consumindo cafeína. Café, coca-cola, chá preto, nada disso. Em algum lugar lemos que é melhor reduzir a ingestão de cafeína, então, aí foi ela a seguir a regra.

Mas, outro dia, fomos almoçar em um dos nossos restaurantes favoritos aqui, o “Petra”, um restaurante jordaniano. O dono nos conhece e, geralmente, nos oferece um chá ao final da refeição. E é difícil recusar, pois é aquele chá preto com menta que o cara faz na hora.

Dessa vez não foi diferente, e lá vem o brimo com o chá. Não podíamos dizer não (é cortesia da casa), e tomamos uma xícara. Aí ele vem e, no melhor estilo Oriente Médio (ou seja, “coma até cansar”), enche as xícaras novamente sem perguntar se queríamos mais…ela olha pra minha cara, olha pro chá…e, claro, toma tudo.

Duas doses brabas de cafeína no mesmo dia ??? Tudo bem, o ultrassom ia ser só 1 semana depois mesmo, ia dar tempo de dissipar o efeito. Caso contrário, já podia imaginar a nenê na tela do ultrassom fazendo polichinelos e dançando a macarena…

Published in: on agosto 31, 2008 at 5:27 pm  Comments (1)  
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Marte ataca!

A propósito, pra quem ainda não percebeu, quando o post está escrito EM ITÁLICO, é o Renato que está escrevendo…

Vocês viram aí embaixo que teremos uma menina! Quer dizer, já temos. Só estamos aguardando a saída dela do conforto do líquido amniótico para o nosso mundo. E isso acontecerá em Janeiro…bem, segundo os cálculos…mas ainda dá pra nascer no meu aniversário, no final de Dezembro, vai saber…se pretensão matasse…

Então, no último ultrassom (também descrito abaixo), verificamos as pernas, os braços, as mãos, o coração, etc. etc….mas, o mais interessante, foi na hora da cabeça. Palavras da médica:

“Ok, aqui temos a cabeça…grande, né?”

Claro, puxou a mãe! Longe de mim querer outra coisa, tem que puxar a mãe mesmo pra ser bonita! Mas a cabeça podia ser mais normalzinha que nem a do pai…

Como diriam os marcianos: “Dá-Dá!”

Published in: on agosto 25, 2008 at 9:52 am  Comments (1)  
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Contagem Regressiva

Idas e vindas fazendo as últimas compras antes da viagem, malas quase fechadas, a sensação de que alguma coisa MUITO importante está ficando prá trás… É, sinais fortes de que em uma dezena de horas estarei embarcando para o Brasil.

Sinto agora, no final do dia, o reflexo da correria do fim de semana. Tudo aliado às poucas horas de sono dos últimos dias. Não tem acordo: depois de quatro ou cinco horas de sono, arregalo os olhos pro teto e não existe meios de voltar a dormir. Resultado: muito cansaço. Meu e dela, pela rigidez da barriga no final do dia. Ajudou muito o fato da temperatura ter diminuido bastante nesta semana, já dando os sinais do final do verão e início do outono. Os pezinhos agradecem!

Amanhã, mais correria. Últimas comprinhas, limpeza da geladeira, um bolo de cenoura novinho, pesar as malas, surtar, tirar tudo da mala, reavaliar o que levar, rearranjar tudo, pesar de novo.

Será que dá tempo de pegar o último solzinho do verão?

Published in: on agosto 24, 2008 at 9:33 pm  Comments (1)  

Boas Novas

Chegou o dia tão esperado do último mês: o ultrassom morfológico. Um misto de alegria e ansiedade, porque além de poder olhar pro bebê por bastante tempo, precisávamos esperar por cada laudo de cada análise que a médica ia fazendo.

Não podíamos estar mais felizes! Ossinhos normais, cérebro normal, coluna vertebral alinhada, coração normalíssimo! Todos os órgãos no lugar certo, 5 dedinhos em cada mão e pé, nariz e boca na proporção e posição corretas. Todos os possíveis sinais de uma Síndrome de Down exclusos, e de outras anomalias também!

Desta vez, o ultrassom não deixou dúvidas: teremos uma menininha! Agora, começa a epopéia para a escolha do nome! Vai ser divertido!

Published in: on agosto 22, 2008 at 9:47 pm  Comments (5)  

Protagonista

Uma das perguntas mais frequentes que recebo é: E aí, você vai querer parto normal ou cesariana? Às vezes é uma afirmação seguida de um PELOAMORDEDEUSCONFIRMAOQUEEUDISSE: Você VAI fazer cesariana, não vai? É ÓBVIO que essa pergunta só vem de brasileiras, porque qualquer outro povo de qualquer outro lugar do mundo foge da cesariana como o vampiro foge do alho e da cruz. Quando respondo: Parto normal, é lógico!, a maioria faz cara de terror ou já começa a desfiar o rosário porque a prima da tia da empregada da vizinha ficou HORAS sofrendo em trabalho de parto! Aí eu pergunto: Quantas horas? e a resposta vem: Nossa, DUAS HORAS! É nesse momento que eu caio no chão e começo a rolar… DE RIR!

Conheço poucas que passaram por todas as fases do parto em duas horas! Só mesmo tendo uma valvulinha hidráulica prá abrir o colo do útero e um reservatório interno de vaselina prá cuspir o rebento na hora do puuuuuuuuuuuuuxa! Quero dizer, empuuuuuuuuuuuuuurra! Ou seja lá que raios que ser faz na hora!

Sempre fui contra a cesariana indiscriminada. Essa coisa de marcar o dia prá nascer, se vai ser de manhã, se vai ser à tarde, no dia de Cosme e Damião, sempre achei um absurdo. Além de desafiar a natureza – afinal de contas, o corpo e o bebê SABEM quando chegou a hora – a cesariana indiscriminada corrobora com médicos acomodados que descobriram na Obstetrícia o sonho de não acordar de madrugada, perder os finais de semana e as suas consultas pré-agendadas. Alguém um dia disse que parto normal dói. Aí ferrou. Como se o parto fosse a única dor que existisse na face da Terra. O medo se disseminou de uma tal forma de que a dor do parto é associada com sofrimento. E dor e sofrimento são coisas tão distintas…

Que fique bem claro: a cesariana é um baita avanço na Medicina, e casos críticos e que envolvem riscos não têm outra alternativa. MAS É UMA CIRURGIA, COMO QUALQUER OUTRA. Envolve riscos e cuidados pré e pós-operatório. E a cesariana indiscriminada gera um problema social e de saúde pública. Alguém já pensou que uma cesariana indiscriminada está ocupando uma sala de cirurgia que poderia ser usada para salvar a vida de alguém que realmente precisa de uma cirurgia, seja porque está doente, foi atropelado ou levou um tiro no meio de um assalto? Que os gastos com material cirúrgico, mão-de-obra e diária de quartos são astronômicos? Que aquele quarto que uma parturiente está usando por três dias poderia ser usado por alguém que precisa de cuidados? E que a incidência de mortalidade com bebês é extremamente alta em uma cesariana, porque muitas vezes o bebê nasce antes do tempo, enquanto no parto normal a mortalidade é quase inexistente?

Fiquei feliz em ler um dia desses que a coisa no Brasil começou a mudar. São milhões de reais indo ralo abaixo com cesarianas desnecessárias e UTIs neo-natais. Milhões de reais que poderiam ser gastos na Saúde Pública, colocando mais leitos à disposição da população. A mulher que opta pelo parto normal terá direito a quarto específico, com leito, banheiro e ambiente preparado para o pré e pós-parto. Agora é lei, e parto normal não vai mais para o Centro Cirúrgico! Todas as maternidades do Brasil já estão fazendo isso, e acredito que muita coisa começa a mudar a partir de agora. A mudança vai ser a passo de tartaruga, e que os nossos obstetras brasileiros consigam ver um pouco além de seus umbigos e narizes.

E eu, tenho medo da dor do parto? Não, honestamente não. Sei que nós mulheres fomos feitas prá isso, e os benefícios para os bebês são inúmeros e conhecidos. Vai ser bom prá mim e pro Tiquinho de Gente que chegará. E acho também que o parto fecha o ciclo da gestação, e abre o ciclo da nova vida. Todos nós somos protagonistas da própria vida. Ser protagonista é ser o ator principal, ser aquele que tem as rédeas e faz acontecer. E agonista vem de angústia, do latim angustus, que significa apertado, estreito, difícil. Nascer é passar pelo angustus – literalmente o canal vaginal – e assim registrar a primeira grande protagonização da vida: ser alguém.

Voltando às dores: existem dores na vida da gente que não passam nunca. Dores que doem pro resto da vida. Quem carrega essa dor sabe do que eu estou falando. A dor do parto acaba, e é uma dor que traz vida e alegria. Essa eu posso protagonizar. As outras, não. E como doem…

Published in: on agosto 21, 2008 at 4:05 pm  Comments (2)  

So far so good

Hoje entro na 19a. semana. Finalmente a barriga começou a aparecer! Ontem no clube, enquanto eu colocava meu biquini para ir à piscina, uma alemã me olhou e perguntou se eu estava grávida, mas com aquele medo de ter dado um fora bem grande. Quando respondi que sim (acho que os petchos pulando prá fora do biquini não deixaram muitas dúvidas), ela me disse o quanto eu estava linda! Foi beeem legal!

Enquanto eu estava no auge da vomiteira e mal-estar, eu conversava com alguém (tipo, conversei com muuuita gente, não me lembro quem era) e dizia o quanto eu queria me sentir normal de novo, depois da 12a. semana mágica. Essa pessoa me disse que a fase passaria, mas normal mesmo eu só me sentiria depois do parto. Até lá, muita esquisitice iria acontecer. Isso também se aplicou a mim, assim como quase todo o resto (menos o momento mágico da 12a. semana.. humpf!)!

Diferente do que muitos livros dizem, minha energia não está bombando. Tenho disposição, faço meus exercícios, mas energia de sobra eu ainda não vi. Talvez meu conceito de energia esteja muito além do que o padrão determina, talvez o que eu sinta seja o ápice da energia que os livros comentam… De qualquer forma, é um pouco frustrante sentir o cansaço que chega sem avisar a qualquer hora do dia.

Coisas estranhas também acontecem: meu nariz vive congestionado, o que não me incomoda pelo meu histórico de uma vida inteira com rinite, sinusite, e outras ites tantas. O que incomoda mesmo é a congestão dos ouvidos. É uma congestão ininterrupta, sentindo meus batimentos cardíacos pulsando nos meus tímpanos. Isso vem ocorrendo por semanas, e apesar de ter me acostumado um pouco com a situação, não é uma sensação muito boa.

O mais estranho é a minha intolerência à açúcar. Durante os quatro primeiros meses eu sentia aversão, e não podia nem pensar em chegar perto de doces. Hoje a aversão passou, mas não posso nem pensar em comer açúcar. Se como, por mínimo que seja, começa uma palpitação estranha e uma azia que não passa nunca. Se faço um bolo, reduzo o açúcar e assim fica mais tolerável. Mas sorvete, chocolate, bala… Não dá. Sinto vontade, às vezes arrisco um pouco… Dois trabalhos… Acho que o corpo é sábio e está dizendo prá ficar longe de açúcar. O lado bom é conseguir controlar melhor o peso, e dar espaço a coisas mais nutritivas para mim e para o bebê.

Contagem regressiva para o ultrassom morfológico! Sexta saberemos como tudo está, e finalmente, o sexo do bebê! EEEEEEEEEEHHHHHHHHHHHHHHH!

Published in: on agosto 20, 2008 at 6:35 pm  Comments (1)  

Filho de peixe…

Dez semanas de gestação e nosso segundo ultrassom. Nosso Bichinho já era uma tiquinho de bebê, com 2.8cm e um coração batendo tão rápido e tão alto que não havia como os pais bobos não ficarem de boca aberta por um bom tempo, olhando o monitor com aquela imagem!

Passada a bobeira, percebemos aqueles cotoquinhos de braços e pernas se movendo loucamente. No segundo seguinte após o nosso alvoroço “olhacomoelemexeosbracinhoseaspernoquinhastambém”, o Tiquinho de Gente congela. Dava até prá imaginar ele lá dentro, olhando pros lados de rabo-de-olho e perguntando: QUÊ? TÁ OLHANDO O QUÊ?

Nós: Arô?

Bichinho: …

Rê: Arô, mexeaeeeeeeeeeeeeeeeeê! Lango-lango, lango, lango, lango!

Bichinho: …

Eu: É… não nega prá quem puxou… Migué como o pai!

Published in: on agosto 20, 2008 at 5:45 pm  Deixe um comentário  

Treinamento

Em uma semana exatamente estarei rumo a Paris – primeira perna para chegar ao Brasil. É um misto de animação e desânimo, já que 28 horas de viagem na classe econômica, e agora com a pimenta adicional da gravidez, não será nada fácil. Espaço das pernas reduzido, assento com reclinação quase negativa, vôo diurno, minhas “bolinhas” naturebas para dormir proibidas, a necessidade de mover-se com frequência… Já me preparo para o pior, e o que vier de diferente será lucro.

Arrumar as malas tem sido interessante! A primeira delas – a de mão – levará o meu kit grávida: crackers e queijinhos fundidos, frutas e nozes, apoio para o pescoço, almofada adicional para ajeitar a coluna, chinelinho, tapa-olho, protetor auricular, livro e palavras cruzadas, alguns DVDs para ver no meu laptop. E óbvio, meus artigos essenciais de toilette! A segunda mala, com minhas roupas, sapatos e outros badulaques também essenciais a minha estada de 6 semanas no Brasil. Bem, nunca tive uma mala tão raquítica, porque a fase Modelo da Ultragás já começou. Quando terminei de separar o que me serve, me deparei com uma pilha de roupas magrinha, magrinha! E acho que em uma semana eu terei que prová-las todas de novo, e com certeza a pilha ficará pela metade! Ai…

Previsão para a próxima semana: naninha zero. Nada de dormir no avião, jetlag de 12 horas, inchaço das pernas, bla bla bla. E como treinamento, meu corpo já resolveu não querer dormir desde agora. Insônia das brabas… Nada divertido “fritar” na cama por três horas seguidas… Humpf…

Quero acreditar que essa estratégia vai dar certo. Tenho que acreditar. Ai que sooooooooooono!

Published in: on agosto 19, 2008 at 9:43 pm  Comments (1)  

Coisas que a gente nem pensava que pudesse acontecer na gravidez – II

Olá, sou a Mrs. Magoo, muito prazer! Ah, você tá aqui do outro lado…

Não botei uma fé quando li, mas aconteceu comigo. Cegueta de marré-marré-marré. Eu, que sempre me orgulhei da minha visão de lince, tenho um par de óculos para meus 0.5 grau de miopia só prá garantir uma noite com vista cansada que precisaria dirigir; ou uma reunião naquelas salas de conferências gigantescas com um projetor meia-boca; ou prá fazer um H, mesmo. Depois de gravidez, até assistir TV em casa ficou difícil. Que situação…

Mas, como todo o resto, depois do parto passa! Ou eu terei que definitivamente trocar meus óculos…

Published in: on agosto 17, 2008 at 6:54 pm  Comments (1)  

Que mané não pode, quê o quê…

Esse negócio de gravidez é interessante mesmo. Acompanhar de perto, também.

Claro, nós, homens, nunca vamos ter a mesma experiência que as mulheres. A maioria de nós tem um pouco de inveja disso, mas não necessariamente gostaria de trocar de lugar, digamos, AGORA! Não fomos programados geneticamente, e pastaríamos um bocado pra segurar a onda.

Feministas de plantão dirão: “É isso mesmo, lugar de homem é no trabalho, enquanto a gente faz a nossa ligação íntima com o nenê”, ou “Quando nascer, claro que ele(a) vai se apegar mais à gente do que a vocês”, ou ainda “Vocês Jamais conseguiriam”…

Quase tudo verdade. Eva disgramada que foi comer a maçã e criou as dores do parto, mas dores que são só uma pequena parte da epopéia da gravidez. O lance é a ligação, a conexão “visceral” com o nenê. Não tem como negar, isso é exclusividade das mulheres.

Mas a gente pode participar, sim. Estaremos sempre no banco de trás: pilotando vai a fêmea, no banco do passageiro, o nenê. Mas no banco de trás tem mais espaço, e dá pra fazer uma zona desgraçada!

Eu tô fazendo. E vou continuar fazendo. Chamo de bichinho, dou piaba na testa dele(a), conto piada. Logo vou começar a botar Iron Maiden pra ele(a) ouvir (tem que acostumar desde cedo). E sei lá mais o quê vou inventar.

Vou ficar de fora? Quéééééé isso!

Published in: on agosto 14, 2008 at 7:19 pm  Comments (1)