Eu adoraria escrever algo diferente no diário hoje, mas o dia é de bonança. Uma calmaria total. A Filhota passou o dia na base do come-dorme-brinca-come-dorme-brinca, e euzinha sem nenhum sintoma. Nadica de nada.
Respirar e repetir: uma dia a mais é um dia a menos.
Ontem, trocando e-mails com a Carlota Kuny lá no Brasil, falamos sobre algo que me deixou preocupada: se a nenê nascer tão grande quanto a estimativa de terça passada, simplesmente METADE do guarda-roupa dela vai ser engavetada. Eu já sei que as roupinhas RN vão ficar só na memória e em algumas fotos que tirarei delas, mas eu tinha a esperança que as P seriam usadas por uns 2 ou 3 meses. O por quê da preocupação? É que na Coreia (já seguindo a reforma ortográfica – blargh!) os bebês não saem de casa antes dos 100 dias (links para o post que escrevi sobre isso aqui e aqui), e portanto não quase não se acha roupinhas de bebê. E quando se acha, elas são pavorosamente rosas e caríssimas.
Bom, aí vem o Papai do Céu que nunca deixa a gente na mão! O Peter, meu ex-diretor, avisa o Rê que a Kirsten (sua esposa que acabou de ter gêmeos) recebeu 4 sacos de roupas novas e semi-novas de uma outra expatriada que “fechou a lojinha”. Como eles já tinham duas filhas e milhares de coisas, ela logo pensou em mim. À tarde, a Kirsten bate à minha porta com aqueles sacos enormes para que eu escolhesse o que quisesse, e o resto vai para a caridade ou para mais alguém que precisar. Passei a tarde no meio de várias pilhas de roupas, e consegui montar um outro guarda-roupa prá filhota! Até um esquentador de mamadeira eu ganhei!
Tudo que estava na sacola era da Gerber, Carters, GAP, Old Navy, Tommy Hilfiger, Classic Pooh e outras grifes dos EUA. Calculando por baixo, a pilha vale algo por volta dos US$ 700. Muito dinheiro.
Isso é uma coisa bem legal entre as gringas, que eu nunca vi no Brasil. Existe o hábito de passar para a próxima da fila tanto as roupas de gestante quanto as roupinhas de bebê. Isso também vale para carrinhos, móveis, brinquedos. E o passa-passa continua, até que a coisa não esteja mais em condições de ser usada. Nessa brincadeira de passa-passa, já ganhamos um carregador Baby Bjorn, um trocador, um bebê-conforto, uma bomba elétrica para extração de leite, um móbile eletrônico, muitos cobertores, muitos cueiros, e muitas, muitas roupas. Para meu uso, ganhei jeans da GAP e Old Navy, e um casaco de lã da GAP que me salvou nesse inverno – era a única coisa que me servia. As roupas de gestante já têm destino certo, e assim uma vai ajudando a outra.
No Brasil nunca vi isso acontecer, ou nunca fiquei sabendo. Será que é porque as pessoas se ofendem de ganhar e usar coisas de segunda mão, mesmo que praticamente novas? Como passei uma boa parte da minha infância e adolescência usando coisas herdadas, eu não tenho problema nenhum com isso!
Gostei do esquema, e pretendo fazer o mesmo! Se houver alguém que já quiser pegar uma senha, é só falar!