E eu achando que essa seria a única trincheira da batalha…
Após 6 semanas no Brasil, cheguei na Coréia no dia 09 de outubro. No dia seguinte, uma sexta-feira, fui à consulta de rotina com a Dra. Sung. Quando cheguei no consultório, a enfermeira queria que eu tomasse 50 mg de glucose para o exame de diabetes gestacional. Eu argumentei que faria o exame na semana seguinte, pois estava muito cansada da viagem, e ela me disse que era melhor fazê-lo naquele dia mesmo, pois até que eu fizesse o ultrassom e passasse pela consulta ela teria tempo suficiente para tirar a amostra de sangue. Embalada pelo jetlag, caí na dela…
E tomei aquela gororoba açucarada com um pseudo gosto de laranja, que me embrulha o estômago só de pensar. E depois de uma hora, dois tubinhos com meu sangue já estavam devidamente identificados e a caminho do laboratório. Como na amniocentese, elas me ligariam quando o resultado estivesse pronto.
Na terça seguinte, recebo uma chamada no meu celular. Era a Dra. Sung:
Selma? Saiu o resultado do exame. Você está com diabetes. Venha refazer o exame, mas desta vez em jejum.
Meu mundo desabou. Novamente, fiquei no mas, mas, mas… Como assim, estava com diabetes gestacional? Carácoles, eu tinha feito os exames de glicose em jejum e pós-prandial no Brasil, e tudo estava ótimo! Ok, eu sabia que isso poderia acontecer, porque os tais hormônios que mexem com a insulina eram liberados pela placenta a partir da semana 26. Era exatamente a semana do meu exame.
Aí, eu pensei: Pô, minha dieta tem sido super-regulada. Sem massa, sem açúcar, comendo a cada três horas, muita água. Mais caxias do que isso, não dá. O que eu terei que fazer agora, eu não sei…
E chorei. Chorei muito. Diabetes gestacional não é uma coisa qualquer, e ela fora do controle faz com que a criança nasça com muitos problemas. Além do alto risco durante o parto, devido à pre-eclâmpsia que vem no “pacote”. Era o fim do meu desejo de ter um parto normal. E chorei mais.
Uma semana depois voltei ao consultório para a curva glicêmica. Tomei em jejum 100 mg de glucose – um copo de 300 ml – e por um instante achei que ia vomitar tudo no carpete da clínica. Rezei, respirei, pensei no outro copo de 300 ml que teria que tomar caso vomitasse. E consegui segurar o trem no meu estômago. Quatro horas – e quatro picadas em lugares diferentes do braço – depois, saí do consultório. E mais alguns dias para receber o resultado.
Passado alguns dias, atendo o celular e era a enfermeira-chefe da Dra. Sung:
Está tudo bem, você não tem diabetes gestacional. Passe amanhã para pegar seu prontuário.
Por um momento não acreditei, e pedi para ela me repetir todos os números. Estava tudo normalíssimo, tão normal quanto no Brasil. Chorei de novo, mas de alegria! E aí, tentei entender que raios tinha acontecido com o meu outro exame.
Era muito óbvio o que tinha acontecido:
- eu não poderia ter feito o primeiro exame quando fiz. Estava cansada, com jetlag, hormônios do dia e da noite todos revirados. E, ainda por cima, tinha comido o meu lanchinho da tarde antes de ir pro consultório. Lanchinho + glucose + jetlag = resultado alterado.
- não recebi a orientação correta. Não mesmo.
- repetir um examinho é mais dinheirinho pro bolsinho da Dra. Maluca.
Poderia ser coisa da minha cachola, de novo. Mas na mesma semana fiquei sabendo que aconteceu o mesmo com a amiga canadense aqui do condomínio. Má orientação, resultado alterado, exame repetido.
Acho que depois dessa, eu aprendi definitivamente a lição…