Médicos de lua

Ontem entrei na 18a. semana de gestação. E quando as pessoas me perguntam “de quantos meses você está”, eu faço a maior cara de conteúdo-pastel e respondo: 18 semanas! Certo, simplesmente porque eu não sei de quantos meses estou. Para a maioria das pessoas – e para mim também – contar a gravidez por semanas é a mesma coisa do que dizer “eu peso 145 libras”, ou “minha altura é 5.68 pés” ou “hoje a temperatura é de 90oF”: não diz absolutamente nada.

A gente aprende a vida inteira que a gestação da espécie humana dura 9 meses. Aí a gente engravida, vai ao nosso obstetra, e descobre que a gestação dura 40 semanas. E essas 40 semanas em “obstetrez” significa 10 meses. Encarnei o piolho dentro de mim e fui atrás de uma explicação lógica. E a lógica da resposta não poderia ser mais ilógica, mas ao mesmo tempo tão lógica. A resposta está na Astronomia. Lógico?

A gestação dura em média 280 dias. 280 dias são 10 meses LUNARES, ou 9 meses e 7 dias SOLARES. Tudo isso a contar da data da última mestruação, já que nem todos sabem exatamente a data da concepção.

Então, os médicos contam a gestação pelas luas, e os nós – pobres mortais – pelo nosso calendário solar. Se aprendi a lição corretamente, estou ”enluaradamente” na segunda metade do 5o. mês, e “solarmente” no ínicio dele.

E depois de tudo isso, ainda tem obstetra que não bota fé nos trabalhos de parto na virada da lua… Humpf.

Publicado em:  on Agosto 14, 2008 at 2:55 pm Comentários (2)

Eu sob nova direção

É assim que me sinto: perdi o controle sobre as minhas coisas e alguém bem pequenino dentro de mim tomou as rédeas. Minha vontade é dissertar sobre interrelações biológicas, mas achei que não seria muito apropriado pelo tom não romântico da coisa – mesmo sendo inevitável deixar de lembrar de simbiose, comensalismo, e até mesmo parasitismo.

Cheguei à conclusão que abusei um pouco nos dois últimos dias. Na segunda, passei a manhã arrumando a casa e cozinhando o que ainda se aproveitava de dentro da geladeira; fui ao mercado, carrega carro, descarrega carro, sacolas dois andares prá cima. Fui ver a aula de Taekwondo com o Rê, chegamos tarde, dormimos depois da meia noite. Na terça, dia de faxina, acordei cedo, preparei a casa para a Dna Moça não só limpar o Caminho do Papa, fui ao mercado novamente, fui à lavanderia, fui ao banco À PÉ (porque precisava andar um pouco), zanzei por algumas lojas, voltei, fiz o jantar. Resultado: cama às 10 da noite, acordando somente hoje às 8 e meia da manhã. Como se não bastasse, são 9 da noite agora e já estou caindo pelas beiradas.

Ok, ok. Já entendi! Cama e naninha!

Pelo visto, esse é só o começo…

Publicado em:  on Agosto 13, 2008 at 9:10 pm Comentários (3)

Coisas que a gente nem pensava que pudesse acontecer na gravidez – I

Fazer xixi. Nas calças.

Tudo começou na fase Adoração à Porcelana. Corria pro vaso, e a cada espasmo de vômito, vinha um jato de xixi. A gravidade da coisa dependia do quanto a minha bexiga estava cheia. Bexiga vazia, show de bola. Bexiga mais ou menos, uns respingos. Bexiga cheia, direto pro chuveiro.

Pensei: bom, deve ser a posição que fico quando vou vomitar. Fico agachada, então a pressão na bexiga é maior. Tá. Só porque eu queria. Espirrar agora virou o maior desafio da minha vida. Espirro sem xixi é medalha de ouro! Outro dia estava preparando o jantar, e do nada veio um espirro. Em segundos, senti gotinhas descendo pelas minhas pernas. Fim de carreira.

O fim dos vômitos e enjôos estava muito bom prá ser verdade. E dá-lhe incontinência urinária!

Publicado em:  on Agosto 12, 2008 at 4:25 pm Comentários (4)

Oh, céus, oh, vida, oh, azar…

Ela: Tô gorda…

Eu: Não, não tá. Tá barriguda, o que é normal quando se está grávida, caso você não tenha reparado…

Ela: Minhas pernas tão doendo…

Eu: É de andar nesse calor…

Ela: Acho que meu peso está aumentando demais…

Eu: Está no padrão, não inventa…

Ela: Você não gosta mais de mim…

Eu: Êêêêêê…

Publicado em:  on Agosto 11, 2008 at 5:14 pm Comentários (2)
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Camelo

Agora que a chuvarada foi embora, o calor em Seul está infernal (com o perdão do trocadilho). E a estiagem trouxe uma fase que eu não conhecia: a fase camelo. Mesmo quase não comendo quase sal, quase toda água que bebo fica armazenada nas pernas e nos pés. O Rê alivia um pouco a situação, com massagens à noite.

Agora entendo porque todo mundo me falava da sorte de ter o bebê no meio do inverno aqui. Não consigo me imaginar grávida de 9 meses em pelo mês de agosto por aqui… Com certeza, o único jeito de me levar para o hospital seria rolando!

Publicado em:  on Agosto 10, 2008 at 9:39 pm Deixe um comentário

Poder

Um dia eu acordei e foi pro chuveiro. Minto, antes do chuveiro fiz a minha adoração matinal na porcelana. Aí fui pro chuveiro. Saí do banho, e enquanto me enxugava me olhava no espelho procurando vestígios da barriga. Não tinha barriga, nem bunda, nem coxas. A adoração matinal drenava todas as gorduras indesejadas e muito mais.

Movi os olhos para cima. OQUEQUEÉISSONOSSASENHORADOPERPÉTUOSOCORRO? Da noite para o dia, uma verdadeira explosão dos meus airbags! Liguei para o Rê:

EU: Rê, você não vai acreditar no tamanho dos meus petchos!

ELE: Como assim, o que tem de diferente?

EU: ELES CRESCERAM DE ONTEM PARA HOJE!!

ELE: Mais?

EU: Mais!

ELE: Bruce Almighty…

Publicado em:  on Agosto 7, 2008 at 12:39 pm Comentários (2)

Indecisão Gonadotrofinenta

Eu: E aí, quer comer o quê?

Ela: Ah, sei lá…nada especial…

Eu: Escolhe você, pra mim tanto faz. Estou mais preocupado com o que você pode comer ou o que você quer comer. (sou um anjo, não?)

Ela: Ah, não sei, dá uma idéia…

Eu: Ok, vamos no Djãmbers?

Ela: Ai, muito pesado…

Eu: E no Trãmers?

Ela: Não, não vai rolar…

Eu: E no Dêmbas?

Ela: Ush! Nem pensar!

Eu: …

Ela: Puxa, não precisa ficar assim…

E isso porquê a TPM não vai dar as caras por pelo menos 9 meses!!!

Publicado em:  on Agosto 6, 2008 at 11:20 pm Comentários (1)
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Don’t patronize me

Na pilha dos sete livros que tenho para ler sobre gravidez e coisas, dois são australianos, três são americanos e dois são brasileiros. Cada um deles tem suas peculiaridades: os australianos trazem detalhes de costumes e alimentos somente encontrados por lá; os americanos com suas encanações e papos abertos sobre abortos e opções de não amamentação; e os brasileiros tratando as mulheres como se fosse retardadas mentais.

Estou bestificada com a falta de conteúdo e profissionalismo dos livros brasileiros dedicados à gestação. Tudo é superficial, tudo é tratado como se fosse um conto de fadas, com aquele tom de “ai, tadinha, eu sei que você não entende nada do que eu estou falando… Não tem problema, bonitinha, tudo vai dar certo, viu?”.

Talvez os livros reflitam o perfil do brasileiro: o não gosto pela leitura; ou a constante falta de interesse por aprender algo de verdade.

Li os livros, somente para atestar a verdadeira inutilidade deles. Me senti uma idiota.

“Bonitinha” o escambau. Se eu vomito, eu quero saber o porquê. Se vou fazer uma aminocentese, quero saber absolutamente tudo sobre o exame, cada pingo no i. Se eu preciso comer um maço de espinafre por dia, combinado com vitamina C, não me diga simplesmente que vai fazer bem prá mim. Há muito deixei de ter 5 anos, em que me contentava com respostas simples e infantilmente lógicas.

Don’t patronize me, please.

Publicado em:  on at 9:20 pm Deixe um comentário

17 (micro) velinhas

Hoje entro no 17o. mês de gestação.  Grandes comemorações!

  • os enjôos praticamente passaram
  • minha energia para exercícios voltou quase por completo
  • minhas noites de sono estão melhores, apesar das visitas noturnas ao banheiro
  • sinto fome novamente, e não aquela sensação de “preciso comer”

Diferente do que muitas disseram, a fase difícil não passou como um passe de mágica. As coisas melhoraram aos poucos, devagar, ao longo de 6 semanas. O bem-estar que eu sinto hoje foi suado e conquistado!

O Pequeno Ser já tem de 12 a 13 cm, sem contar as pernocas! E pede comida de 3 em 3 horas. Não é prá menos que está crescendo tão rápido…

E falando em pernocas… as minhas estão inchadas de tanta água retida… Que falta faz um fisioterapeuta por aqui para uma drenagem linfática! Ainda bem que o marido me ajuda com massagens à noite, e a sensação de arrastar duas bolas de ferro diminuem um pouco.

Publicado em:  on at 8:12 pm Comentários (2)

Criança de Lua

Aí vem a fatídica questão: quando nasce? De acordo com aquele maravilhoso disquinho de papel parte integrante de qualquer obstetra, o “due date” do nosso bebê é 16 de janeiro. Se meus cálculos da concepção estiverem corretos, a data seria em torno do dia 20 ou um pouco mais. Segundo o ultrassom, o bebê está maior do que o padrão (medo, qual padrão, o coreano???), então a data seria dia 10. Aí vem a sabedoria popular, sem embasamento científico algum, mas que obstetra algum ousa negar: a tal da virada da lua.

A batcham do Itiro, parteira da família inteira, contava nove luas a partir da lua da concepção. Na nona lua, batata: lá vem trabalho de parto, e bebê ao mundo! Deu certo com a Carla, e o Henrique Itirito nasceu na virada na nona lua. Seguindo a receita da batchan, o dia D será em 11 de janeiro. Domingão…

Já está marcado! Acho que vou abrir um bolão…

Publicado em:  on Agosto 5, 2008 at 10:17 pm Comentários (3)