Quatro dias de atraso não era o bastante para o teste, mas os sintomas estavam cada vez mais evidentes. A dor e o volume dos seios, o olfato modificado, o cansaço, os enjôos. Sim, era cedo, mas era o Dia das Mães.
Às cinco da tarde de ontem, abri o teste.
- Você vai fazer o teste agora?
- Sim.
- Não é cedo demais para o teste detectar o hormônio?
- Não, diz aqui que no dia -1 da menstruação o resultado é 87% confiável. Já estou no dia +4.
Abri o teste, expus a ponta no jato de urina por cinco segundos, fechei o teste e saí correndo.
- E aí???
- Tem que esperar 2 minutos…
- …
- Vai lá…
- Eu?
- Sim, vai lá e vê o que apareceu.
O Rê entra no banheiro, pega o teste, olha, vira, compara com a bula, vira de novo. Eu já sabia, ele também. A gente só precisava ter certeza.
- Deu certo!
Estavam lá, os dois tracinhos. O + esperado. Chorei de emoção, alegria, sei lá o quê. O Rê ficou meio bobo, feliz demais.
Então era prá valer. Tem alguém crescendo dentro de mim. Criando esse turbilhão de sensações, físicas e emocionais.
Seremos pais.
Bendita Gonadotrofina Cariônica Humana.

Tava tudo invertido naquela bula, ta’ loco!
Direita/esquerda, prá cima/prá baixo… É tudo a mesma coisa!